Pensar em Governança e gestão de dados nas startups e nas
médias e pequenas empresas, tem algum sentido? Essa pergunta, com traços de certa
ousadia e provocação, pode causar indagação, na medida em que se observa que
tais práticas (GD) estão acontecendo, na esmagadora maioria das vezes, em
“grandes empresas” lá fora. Aqui no Brasil, o conceito de GD está ainda sendo
pensado em poucas empresas, normalmente grandes, mostrando toda a sua
incipiência, com “c”. Por outro lado, essa provocação poderia ser também considerada
uma boa oportunidade, a fim de atiçarmos o assunto, desde cedo, falando para os
pequenos empreendedores sobre a importância de se cuidar dos dados. Seria uma
espécie de aconselhamento de base, digamos mais profilática, a fim de se
evitar, no futuro, os problemas que já começam a aterrissar em grande parte das
empresas por ai. O absoluto descontrole sobre os dados atuais, potencializado pela
chegada dos fenômenos Big Data e IoT(Internet das Coisas). Esse assunto(GD para
PME´s e startups) ainda não chegou ao
palco de discussões nos EUA, pelo menos nos seminários e eventos de que tenho
participado e também acompanhado. Mas entendo que há espaço para tal. A Fumsoft
tem uma das mais importantes aceleradoras do Brasil e a ideia surgiu dentro
desse contexto, quando, por algumas vezes, fui convidado para falar para os
pequenos empreendedores sobre Big Data, por exemplo. Claro que eles chegam
ávidos por saber qual o melhor Banco de dados NOSQL ou se Hadoop e Spark são
opções excludentes. Nesses encontros, aproveito a oportunidade para falar um
pouco mais para os colaboradores que formam uma empresa emergente, sobre esse
ponto crucial de pensar os dados, um pouco mais conceitualmente e atrelado aos
negócios. Só depois é que deveríamos discutir a sua morada física nas estruturas
mais adequadas de Big Table, Chave-Valor, Documentos ou Grafos complexos,etc,etc.
Isso, claro, não é trivial, pois uma startup está mesmo querendo, por motivos
óbvios, é uma solução imediata de seus problemas. Nesse contexto, profilaxia e
prevenção não são as maiores prioridades. Coordeno na Fumsoft, um grupo de
consultores em Processos e Dados e já há planos para fazermos algo mais formal
para essa meninada brilhante e inovadora, abordando conceitos de Gestão e
Governança de dados para esse tipo de empresa. E a pergunta, que não se cala é
: Empresas Startups, micro e pequenas, não precisam cuidar dos seus dados? Essa
é a provocação central. Não seria no mínimo profilático instilar as ideias
sobre a importância dos dados e de certo nível de controle sobre eles, a fim de
que as empresas, depois da fase “placenta”, já tenham certos procedimentos
mínimos de controle desses ativos? Para contextualizar devemos lembrar que 94%
das empresas no Brasil são PME. Na Europa, segundo Moll(2013), constituem
99,8%, assim distribuídas: 92,2% são micros com de 1 a 9 funcionários, 6,5% são
pequenas com de 10-49 empregados e 1,1% são médias, com de 50 a 249 empregados.
As grandes empresas ocupam 0,2% das empresas europeias. Assim, se restringirmos
o debate de Governança, Gestão e Qualidade de dados ao ambiente de grandes
empresas, estaremos tratando do assunto num ciclo bastante reduzido e perdendo
uma excelente oportunidade de melhorarmos os contextos de dados, nas empresas
que, pequenas hoje, poderão ser grandes amanhã. Claro, e seria desnecessário
dizer que, esse tipo de empresa, por características de organizações nascentes, tem uma série de limitações de
pessoal e de recursos gerais. Claro que
essas empresas se encontram ainda em formação, buscando o seu caminho na
esteira balançante das tentativas e erros. Claro que os seus processos estão
ainda sendo escritos e reescritos, na medida em que erros e tropeços surgem no
meio da trajetória, no melhor estilo lean-startup. Mas e daí? As empresas não
podem ter uma planilha/ou umas páginas num “google sites” que faça o papel de
seu glossário de negócios, contendo descrições de grandes conceitos de dados,
envolvidos no seu business? Ou ter ali o conjunto de padrões definidos para
nomes, processos, métricas, etc, associadas a dados? Esses conceitos de dados,
diferentes dos processos que ainda estão em gestação, podem ser estáveis. Uma empresa startup não poderia ter
um modelo conceitual de dados, definido e documentado, pregado na parede contendo
os principais blocos de dados do seu business? Não poderia ter uma visão
simplificada, porém documentada, da arquitetura envolvida naquele sistema /aplicativo,
que gerencia Taxis, Personal trainers, ou Personal stylists?. Não poderia ter uma
visão ligeiramente mais bem documentada sobre segurança dos seus dados, acessos
e pontos críticos sobre privacidade? Ou de “compliance” de dados do seu produto
ou dela própria, com relação à Incubadora ou Aceleradora onde reside? Uma empresa que adota o lean-startup, por
exemplo, onde a viabilidade mínima
de um produto (MVP) é buscada visando
oferecer soluções para um mercado ou cliente ainda incerto, precisa de medidas
para alcançar esta visão. E medidas, nada mais são do que dados definidos,
coletados, armazenados, analisados e disponibilizados. O DMM(Data Management
Maturity Model) do CMMI Institute(hoje ISACA), contempla processos para
medições de dados, que passavam meio distantes no Dama-DMBOK1. Uma governança de
dados digamos, otimizada, rápida e enxuta, conforme discutido anteriormente,
poderia ser perfeitamente experimentada nesse contexto, que normalmente já usa
preceitos de agilidade, na fase de desenvolvimento. Recentemente foi lançado no
Brasil o livro “Governança Corporativa para pequenas e médias empresas”, pela editora
LTR. O livro, escrito por vários autores, coordenado por Bernardo Portugal e
organizado por Lúcia Zimmermann, trata de algo próximo disso. O livro aborda os
conceitos da Governança Corporativa de forma geral e através desses elementos,
observa-se uma forte e potencial conexão
com a Governança de dados. Os conceitos pilares de Governança Corporativa, como
Transparência(disclosure), Equidade(fairness), Prestação de
contas(Accountability) e Conformidade(Compliance) não poderão prescindir dos
dados e informações geridas sob a ótica da dimensão de qualidade e de certa
lupa mais controlada de gestão e governança de dados. Desses quatro elementos,
a Prestação de Contas e a Conformidade estão fortemente associadas aos aspectos
de dados em dimensões de disponibilidade, integridade, segurança, clareza, etc,
conceitos presentes nas melhores práticas Dama-DMBOK e DMM. Esse assunto será
desdobrado em futuras discussões que pretendemos realizar na Fumsoft, em
conjunto com os emergentes de lá. Lembrando sempre do que nós ouvíamos quando
meninos: “É de pequenino que se torce o
pepino”....
Blog que objetiva a discussão de conceitos de Governança e Gestão de Dados com os serviços de DM (Data Management) associados(Arquitetura,Modelagem de dados,BD,DWBI,MDM,DNE,Qualidade de dados,Metadados,etc) Também aspectos de maturidade via modelos MPS.BR,CMMI(ambos para Eng de SW) e DMM (Dados), além das novas formas e influências dos dados na sociedade digital.
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sábado, 28 de maio de 2016
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Modismos e paixões em tecnologia e metodologia
A Fumsoft, ao longo desses seus últimos anos, tem procurado levar aos seus associados e à comunidade mineira, elementos inovadores. Na área de melhoria de processos de software, a Fumsoft foi pioneira em Minas Gerais, lançando o MPS.BR-SW, que alcança hoje quase 100 certificações. As primeiras empresas a fazerem melhoria em Processos de Serviços (MPS-SV), em MG, são clientes da Fumsoft.
A Fumsoft também introduziu o modelo Certics em Minas, formando a primeira empresa certificada aqui. Na área de dados, foi também pioneira no estado, em treinamentos de Ciências de Dados, Hadoop, Governança de Dados, além do evento DataTalk e da primeira pesquisa feita sobre Gestão de Dados, no Brasil. Dessa forma, abriu um espaço fundamental para a discussão de outros domínios, além de serviços e processos. Essa é a sua missão.
Com os novos momentos, a Fumsoft está trazendo conceitos, visões e proposições, como Learning Shots, Lean e Lean Startup, visando criar abordagens mais evoluídas, demandadas pelo tempo, onde restrições, desperdícios e necessidades de otimizações são fatores primordiais. Tempos onde a visão conjunta dos “stakeholders” envolvidos cria um croquis mais bem definido dos problemas e das soluções desejadas, via o entrelace de suas percepções.
No último dia 25 de abril, a Fumsoft, seguindo esta trilha, realizou um evento inédito, LeanTalk, que teve como tema a “Abordagem Lean”, em pilares de Processos, Comportamentos, Finanças e Marketing. Nascida em proposições da Toyota para a melhoria de seus processos automotivos, as ideias ganharam as áreas de TI de muitas empresas e continua a crescer, daí o interesse da Fumsoft em sua apresentação. Esse evento será recorrente e, brevemente, exploraremos mais o conceito Lean, apostando na sua aplicabilidade.
Ao longo de mais de 40 anos tenho testemunhado o aparecimento de novas proposições metodológicas e tecnológicas. Todas elas tiveram o seu momento de ápice, quando, após analisadas e adaptadas às necessidades e contextos das empresas, puderam ser utilizadas com sucesso. Lembro-me de Análise Estruturada (de Chris Gane), seguida pela Análise Essencial (de Palmer, McMenamim), sucedida pela Análise OO (de Booch, Rumbaugh e Jacobson). A elas, seguiram RUP (da IBM), trocada pelos métodos ágeis (Beck, Beedle, Cockburn, Fowler, Sutherland, etc), hoje, já em revisão e questionada por DAD-Agilidade Disciplinada (de Scott Ambler) e outros como Lean, Zen, etc.
O ponto mais importante a se observar nessas novas proposições é justamente a sua adequação à cultura da empresa, ao contexto existente (tempo e ambiência) e colocar um olhar crítico para se adotar o que de bom estão trazendo (e podem apostar, todas contribuem com novos conceitos e olhares inovadores) e atentar para aquilo que pode ser deixado de lado, se não em definitivo, pelo mesmo temporariamente. Isso vale para Lean, Agile, Data Science, Gestão de Dados, MPS, Big Data, etc.
Há alguns fatos observados, ao longo dessa estrada, que ilustram esses pontos. No lançamento do Java, pela Sun, num congresso, no início dos anos 90, havia fan-clubes formados, com gritos e alvoroços, dignos da presença de ídolos pop. Hoje, o Java é uma das linguagens bem-sucedidas, mas há outras tanto quanto. Quando o MPS-BR se encontrou com “Agile” pela primeira vez, houve apostas de que essas duas proposições, nunca se casariam, pelos princípios aparentemente opostos que carregavam. Adaptações e ajustes foram feitos por seus adeptos e, hoje, grande parte das 650 empresas certificadas MPS, usam Scrum, com absoluto sucesso.
Modismos ou paixões extremadas não são boas conselheiras, para temas de tecnologias ou metodologias. Nenhuma das soluções é “snake oil” ou bala de prata, para resolver sozinha todas as nossas dores. Todas elas, sem exceção, com melhorias propostas, sejam conceituais, ambientais ou procedurais, certamente têm algo importante para ser aproveitado e aplicado nos nossos ambientes. Não necessariamente para tudo, nem para todos os contextos. Basta olhar com um pouco mais de visão seletiva e deixar as paixões para rolar com os filhos no carpete da sala ou nos abraços com eles nas arquibancadas do Mineirão….
domingo, 24 de abril de 2016
Governança de dados e a Agilidade-III-final
Depois
da discussão sobre DAD de Scott Ambler,
numa espécie de Agile com mais disciplina, vamos continuar analisando outras
visões atualizadas sobre GD-Governança e Gestão de dados existentes, que tocam
no assunto, com maior ou menor intensidade.
Agile DG-FSFP-First San Francisco
Partners
A
consultora Kelle O´Neal, da FSFP, hoje contando também com a parceria de reconhecido John Ladley, usa o label Agile
DG para definir o seu método de implantação de GD nas empresas , embora
os conceitos apresentados sejam próximos dos de qualquer programa de GD,
digamos “tradicional” e não ágil, conforme visto na figura 02. A sua visão centra nos P´s tradicionais da GD,
com Politicas, Padrões, Processos, Pessoas e Papeis, Comunicação(Propaganda),
Tecnologia(Plataformas), Monitoração e medidas (Performance ), além de Estratégia.
Na essência, muito do que temos trazido à discussão neste blog, nos cursos de
Pós da Puc-MG e Fumec e nos treinamentos
específicos nas empresas. Alguns
conceitos estão abaixo decompostos:
|
|
Organização: Aqui veremos o Modelo
de operação da GD, com os P´s de Papeis e Pessoas, os pontos de arbitragem
sobre pendências (“issues”) de dados e o devido escalonamento, em casos de
itens sem resolução. Mostra a estrutura da GD, seus membros, os papeis e responsabilidades
definidos, como os gestores de dados, os owners e suas respectivas
responsabilidades e “accountabilities”(responsabilidades finais);
Políticas, Processos e Padrões: Aqui entram outros P´s da GD, sobre os quais temos
discutidos intensamente: Políticas,
Processos, Padrões, além de Regras e Controles, Definições, uso de metadados, taxonomia
e classificação e glossário de negócios;
Medidas e Monitoramento: Nesse ponto aparece o P de Performance
(Desempenho). Ponto fundamental para se acompanhar o andamento do processo de
GD. Uso de medidas, medições e análise com monitoramento do progresso do
programa e com acompanhamento numérico das pendências apresentados
amistosamente em dashboards, scorecrds,etc. É elemento fundamental de
balizamento do programa de GD, a fim de justificar a sua adoção;
Tecnologia: Parte mais tecnológica, envolve as ferramentas de
colaboração e de ciclo de vida da Informação/Dados, acompanhamento de Dados
Mestres e compartilhamentos, Arquitetura de Dados, Segurança, Qualidade de
dados e fluxo de gestão (stewardship), além
de repositório de Metadados e glossário de negócios. Tem um certo sabor das
disciplinas de DM(Data Management), encontradas no diagrama DMBOK e em outros
modelos correlatos ;
Comunicação: Elemento fundamental, por vezes negligenciado,
envolve o plano de Comunicação de GD, com divulgação em massa, atualizações
individuais e personalizadas, além de mecanismos e estratégia de treinamento. É
também parte fundamental da estratégia, visando a uma GD bem sucedida.
Figura 2-Visão de GD Ágil da FSFP-First San Francisco Partners
GD
e os princípios da Agilidade
Robert
(Bob) Seiner, experiente consultor de dados, um dos mais antigos do EUA, editor
do conhecido TDAN(The Data Administration Newsletter), sugere uma aproximação
diferente, quando se discute os aspectos de conjugação de agilidade e de dados.
Ele incentiva a avaliação dos 12 princípios da Agilidade, hoje já com algumas
alterações, para identificar pontos de convergência e de divergência entre a
Agilidade e GD-Governança de dados. Essa comparação, na minha visão, pode ser
desenvolvida e balizar algumas orientações de planejamento de dados, antes do
desdobramento dos requisitos, que acontece dentro dos sprints, no ciclo Scrum. Afinal, qualquer sistema em desenvolvimento (seja
via ágil ou cascata), terá um conjunto de dados que circulará por eles. Esses
dados não necessariamente somente serão usados por aquele sistema em
desenvolvimento, naquele Sprint. Alguns dos princípios de Agilidade são
obviamente compatíveis com os de GD e outros o serão, desde que haja
alinhamento e convergência entre as duas linhas de pensamento. Por exemplo, entregas
rápidas e incrementais sugerem que pequenas partes da solução(estórias ou um
conjunto delas) sejam entregues ao invés de esperar pelo todo. Um projeto de
BD, dentro do contexto de GD, poderá também ser feito em pequenas construções,
desde que alinhavados por um modelo conceitual maior, que costure essas partes,
feitas em separado. As tabelas que atendem aquele pedaço do sistema deverão
estar coerentes com a visão maior de um modelo organizacional. A Agilidade
sugere que os requisitos podem surgir ou evoluir dentro de um release, ou de
sprints. Caso os requisitos que alteram estórias, impliquem em alterações de
Bancos de dados(inclusões ou refactoring), esses mesmos elementos de dados
deverão ser alterados em outros partes
de código (onde já estão sendo usados) e que poderão estar fora do
contexto daquele Sprint, gerando os chamados débitos técnicos. Lembre-se que a
premissa de agilidade, normalmente é de time-box, com tempo fechado. Isso normalmente
impossibilita extensões de escopos e gera transferência de requisitos para
outros ciclos. Outro aspecto fundamental de ser discutido é a presença dos
usuários em direta interação com os desenvolvedores. Os representantes do
negócio poderão estar presentes com a visão de dados (da mesma forma que no
Scrum tradicional), mas isso, sabemos, não é tão trivial. Provavelmente, a área
de dados estará representada na equipe pela figura de um gestor técnico de
dados(DBA,DA, Arquiteto), etc para opinar sobre esse domínio. O Gestor técnico,
por sua vez, deverá fazer parte da estrutura formal de GD, com as atribuições
de ações operacionais, mas alinhado por um Comitê de gestores de dados, por
exemplo. Essas discussões de dados, entretanto, muito provavelmente, merecerão
momentos especiais, do tipo “Sprint exclusivo de requisitos de dados”, para que
o alinhamento aconteça entre a Agilidade e a GD. Nas figuras 3.1 e 3.2, apresento
uma análise dos princípios canônicos da Agilidade, com as devidas considerações
sobre GD.
Figura 3.2-Paralelo entre os princípios da Agilidade e considerações de GD
A
figura 3.3, mostra o tradicional ciclo de Scrum, com a sugestão da participação
de gestores de dados durante os trabalhos, conforme anteriormente discutido.
Esses gestores deverão estar completamente alinhados com a estrutura de GD
definida, não somente se atendo a trabalhos de BD, mas também como elementos
com visões de gestão, qualidade e integração dos dados
Outros
autores continuam também pensando em
formas de aproximar Dados e Agilidade, além de Scott Ambler, Kelle O´Neal e Bob
Seiner, discutidos anteriormente.
Especificamente esses autores (Collier, Core e Hughes) partiram, já há um
tempo, para a adoção do termo Ágil, mas com um foco bem específico em uma das
áreas de conhecimento da Gestão de dados - Os Projetos de BI. Surgiu assim o
conceito de Agile BI.
Agile BI
Collier escreveu o livro Agile Analytics(Value driven
approach to Business Intelligence and DW) em 2012. Lawrence Corr (junto com Jim Stagnitto) escreveu Agile
Data Warehouse Design em 2012 também. Ralph Hughes,
o pioneiro do BI Ágil, escreveu Agile Data Warehousing em 2008. Os
três livros partem de premissas de adoção de agilidade, dentro dos projetos,
nesse caso de DW/BI e inovam com a
adoção de conceitos iterativos(releases,sprints, PO,etc) nesses cenários de
projetos de depósitos informacionais. Entretanto é fundamental que os dados,
antes de se tornarem insumos para os projetos de BI, deverão estar alinhados no
contextos de gestão e governança de dados, para que o todo funcione. Muitos
projetos de BI tem demonstrado, no seu resultado final, as consequências dessa
inobservância. Empresas tem gasto milhões em projetos de BI, se esquecendo que
essa camada nada mais é do um ponto de transformação. Lapsos gerenciais nesses
projetos esquecem da máxima: “garbage in, garbage out”, seduzidos por
interfaces e vitrines espetaculares, mas com dados pobres e inconsistentes.
Depois choram lágrimas de esguicho, devido aos dados mal governados na sua
origem, produzindo resultados pífios, porém com uma plástica de vitrine
sedutora. Ai já é tarde...
Resumo
da ópera:
O
resumo da ópera é que essas abordagens de agilidade, independentemente de sua
gênese, deverão estar perfeitamente alinhadas com os P´s da GD, daqui pra
frente. Políticas, Processos, Padrões, Planos, etc farão toda a diferença nesse
casamento de duas linhas fundamentais, que vieram pra ficar. O mapeamento dos
princípios mostra que as equipes Ágil e de Dados deverão definir um estilo de
projeto que poderá trazer alterações aos aspectos canônicos da Agilidade. Fica
a pergunta: O que poderá ser ajustado na Agilidade para se encaixar a GD e
vice-versa. Há desafios pela frente neste domínio. Se prepare para enfrentá-los.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Governança de Dados e a Agilidade-II (continuação)
DAD-Disciplined Agile Delivey
Scott Ambler acaba de lançar em
2015, o seu livro Introduction to Disciplined
Agile Delivery(co-autoria de Mark Lines) , chamado coloquialmente de DAD. A ideia é apresentar algumas
arquiteturas alternativas à tradicional Agilidade basicona. O objetivo do
livro, parece estar marcado pela presença da palavra Disciplined(disciplinado)
contido na proposição, mandando uma mensagem que remete a um maior controle,
conforme queríamos sugerir. Procura preencher alguns gaps deixados pela camada
Ágil tradicional e sugere quatro possíveis
abordagens ou ciclos de vidas, expandindo a visão ágil hoje consolidada, através
do uso do eufemismo “escalando a
agilidade”. DAD traz uma mistura de várias abordagens, como Modelagem ágil,
Extremme Programming, UP do velho RUP, Kanban, Lean Software development,etc,
tudo centrado na visão por objetivos. Os 4 ciclos propostos são:
1-Versão básica do Scrum, enriquecida com
genoma do RUP. Contém os aspectos básicos do Scrum, com releases,
sprints/iterações, retrospectivas ao final desses pontos, reuniões diárias nos
sprints,etc e introduz as fases “rupianas” de Inception (Concepção) Construction(Construção)
e Transition(Transição);
2-Um ciclo de vida avançado com Lean.
Contem a proposição Lean com desenvolvimento contínuo, sem,
obrigatoriamente, os protocolos de
releases, sprints,etc do item anterior, que se transformam em opções. Exige claramente
maior controle da equipe;
3-Um ciclo de vida de entrega contínua.
Contém ênfase na entrega contínua e pode ser visto como uma
decorrência/extensão natural do ciclo
anterior, casado com os aspectos atuais de
DEVOPS, fincado nas premissas de desenvolvimento, testes e integrações
continuas;
4-Um ciclo de vida exploratório, baseado no
lean-start-up . Contém elementos para uma abordagem quando não se conhece claramente os
problemas a serem resolvidos e portanto
nem as soluções imaginadas. Favorece experimentos e laboratórios, minimizando
investimentos em soluções e priorizando a descoberta. É a base das ações de
P&D já existentes nas empresas;
Essas
novas visões do agilismo poderão contribuir para um encaixe maior com a gestão de dados necessária. Na fase de
Inception, os aspectos de dados poderão ser amplamente discutidos, como por
exemplo a criação de modelos de dados de
domínios, alinhando-os com direções estratégicas de dados já definidas em
níveis acima.
A
proposição de Ambler, por ter tido certa moradia na IBM(onde ele atuou por um período e também pela incorporação de genoma
do RUP), acabou deixando espaço para a criação de algo mais neutro, mas que
mantém o mesmo sabor de proposta. Dessa forma, surgiu o SAFE, uma nova proposta com visão mais corporativa, centrada nos
mesmos princípios de visão organizacional, mas sem reminiscências da IBM.
SAFE-Scaled Agile Framework
Enquanto
o Scrum era considerado algo mais focado na construção, o Safe-Scaled Agile
Framework se volta para a empresa, numa visão organizacional. A visão mostrada
no link – scaledagileframework.com - permite claramente a observação de novos
elementos que trazem um conteúdo mais estratégico, necessário para se colocar a
agilidade em consonância com aspectos de negócios e por consequência, com os de
dados, centro das nossas discussões nesse pedaço aqui. Nitidamente se observam três grandes camadas.
Na primeira camada(chamada Portfólio)
há a tradicional gerência de Portfólios,
com “temas” estratégicos(lembre-se que em Agilidade, “Temas
e Épicos” são sinônimos de requisitos em granularidades diferentes), há owners
de épicos(requisitos de alto nível, onde dados deverão ser considerados), há a
presença do arquiteto corporativo(onde a arquitetura de dados deverá ser
considerada), há épicos de negócios(requisitos de negócios, que se associam com
requisitos de dados), há épicos de arquitetura(requisitos de arquitetura, onde também
entram as arquiteturas de dados), backlog de portfólios e há uma nítida visão do planejamento dos
releases. A camada seguinte (denominada Programa) se apresenta com a Gerência
de Produtos, com roadmaps (no mineirês, oncotô-proncovõ), a Gerência de
Releases com épicos de programa(requisitos daquele conjunto de
projetos/releases), há portfólio de programas, etc. Na terceira camada, chamada
de Equipe(Team), chegamos aos ciclos
de iterações (sprints) hoje conhecidos
dentro do Scrum tradicional. Há as equipes ágeis, a figura do PO, do Scrum
Master, dos desenvolvedores e testadores e as estórias encaixadas nas
iterações.
Conclusão:
Embora as palavras gestão de dados, governança de dados,etc não sejam
explicitamente citadas nesses novos frameworks que estendem o Agilismo, não há
dúvida, que há um novo espaço para se discutir em conjunto, o cruzamento dessas duas linhas
fundamentais(Agilidade e Dados). A Agilidade não pode prescindir da Gestão de
dados. A figura 01 mostra uma possível visão de Scrum com uma camada superior
onde aspectos de dados deverão ser considerados.
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