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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Governança, Gestão, MDM e correlatos-Uma Visão do EDW-2016-San Diego-Parte I

Como se encontram os conceitos de Governança, Gestão de Dados, MDM e correlatos, no momento nos EUA-Visão 2016-Parte I

Evento: EDW-2016-San Diego-California, entre 17 e 22 de Abril

Embora o Blog do Barbi não pôde ter comparecido pessoalmente, tive acesso a todas os vídeos de todas as palestras. A análise cuidadosa de todas as palestras, permite essa visão simplificada do estado da GD, Bancos NOSQL, Gestão de dados e temas correlatos nos EUA, e de certa forma, reflete a situação no mundo. Fica até mais confortável, pela possibilidade de se ouvir várias vezes, o que o listening do meu  inglês “Joel Santana” dificulta de primeira....Enjoy..

A)Palestras sobre NOSQL:

O tema foi bastante discutido em várias 13 palestras, que variaram de visões mais gerais sobre o conceito e outros mais específicos sobre certos produtos, passando per aplicações dessa tecnologia em projetos muito interessantes. Vamos comentar algumas: 

1)Health Care Analytics with na Enterprise Data Lake-Parsa Mirhaji-CTO do Montefiore Health System e Jans Aasman, CTO  da FranzInc, criadora do Allegrograph
A apresentação mostrou uma interessante aplicação na qual um importante Centro Clínico  americano está montando um grande Data Lake semântico. Data Lake é um conceito emergente para designar um grande depósito de informações, de natureza variada, com   dados de  pacientes,  de famílias de pacientes, dados de imagens, prescrições, medicamentos,  especificidades sobre doenças e tratamentos, “devices” , planos de seguros dos pacientes, etc. Algumas informações complementares também entram como os dados sócio geográficos de pacientes(onde moram, como moram, etc) e informações genéticas sobre eles. É na realidade o que chamávamos, nos anos 80 e 90, de ODS-Operational Data Store, agora amplificado por Big Data e dados não estruturados, formando uma espécie de repositório gigantesco, um  “sopão” de informações gerais, de onde podem ser extraídos conjuntos de dados para tratamentos informacionais específicos, via outras plataformas. A ideia central é ter um conjunto plural de dados, capaz de, rapidamente, produzir informações precisas e conectadas, por meio de  uma camada NOSQL que aplique estruturas de grafos e relacionamentos semânticos.

Maturidade em tratamento de dados de saúde

A apresentação mostrou um interessante modelo de maturidade em “Analytics” para á área de saúde, com 9 níveis(de zero a 8), evidenciando os tipos de degraus que a empresa pode trilhar em direção a um patamar mais maduro no tratamento de informações médicas. Vai, por exemplo do nível zero, onde as soluções de informações se baseiam em fontes de dados(data points) fragmentados, subindo para um EDW-Data Warehouse Empresarial (nível 1), alcançando registros padronizados e glossário de termos(nível 2). Continua com a automatização de relatórios internos(nível 3) e de  relatórios externos(nível 4). Sobe um degrau para contemplar  a gerência sobre  redução do resíduo hospitalar(nível 5), chegando na camada de  Gerência de saúde da população, com “analytics” sugestivo e inferencial de potenciais problemas(nível 6). Cresce para o próximo nível analisando riscos clínicos de intervenções com análise preditiva(nível 7), até alcançar a camada de medicina personalizada e prescritiva(nível 8). Baseados em sistemas de aprendizado centrados em evidências clínicas, os níveis 0 e 1, estão fundamentados em relatórios, dashboards, Data Marts, etc. Os níveis  de 2 a 5 se concentram na melhoria dos EMR(Eletronic Medical records) , com acesso ubíquo a qualquer informação, aspectos regulatórios, informações de colaboração e parceiros. Os níveis(6 e 7) focam em ACO-Accountable Care Organization, no fundo uma organização de provedores de serviços de saúde com um modelo de entrega(de serviços) e de pagamentos (de fornecedores) que procura definir com rigor os reembolsos centrados em métricas de qualidade e de redução no custo total para um tipo definido de população de pacientes. Isso evidencia a forte associação que os  provedores de serviços de saúde tem com os dados e sua gerência, compondo o conceito forte de HIS-Health Information Systems. Esse modelo claramente , na medida em que evolui nos degraus descritos, demandará um volume maior de dados, além de, muito importante, os metadados mais presentes e elaborados. Não esqueçamos que essa dupla(dados e metadados) são os pilares para se alcançar uma sólida Gerência de Conhecimento, que no fundo a indústria da saúde americana procura sistematizar, evidenciada neste trabalho apresentado.

Data Lake Semântico e suas camadas

A base conceitual da arquitetura é o Data Lake Semântico, plataforma composta por  uma camada em “analytics”  de Big data e computação Cognitiva(uma forma de processamento de dados que tenta simular a capacidade de pensamento do ser humano). A camada básica  de software é formada pelo Hadoop(HDFS), com Spark , uma proposta que vem de encontro ao MapReduce, com uma intenção de maior performance, focando em  processamento em memória e com o mesmo objetivo básico de processar uma imensidão de dados distribuídos em diversos clusters de processadores. Processa comandos SQL e dados “in-stream” , com fluxos constantes. Além disso, o sistema aplica os conceitos de Redes Semânticas, procurando uma estruturação de dados, baseada em triplas(sujeito-predicado-objeto), como (Barbieri=sujeito), (operou=predicado), (a tiroide=objeto). Essa estruturação, no estilo de grafos, se ajusta perfeitamente na montagem de pedaços de conhecimentos, ligando via nós e arcos, os átomos de informação e seus relacionamentos. Para tal, os  conceitos de metadados e ontologia são usados e complementam a formação em direção a uma melhor produção de conhecimento. A Ontologia é aquela parte que formaliza as classificações de “coisas”, no caso aqui classificações de medicamentos, de doenças, de tipos de atendimento, de tipos de pacientes, etc, que acabam compondo a camada final de metadados, fundamental para a  codificação e a cristalização do conhecimento. Parte de repositórios ontológicos já existentes são usados como o  NCI-Thesaurus(National Cancer Institute),   GO-Gene Ontology, para descrições de termos e conceitos de genéticas, etc. Aproximadamente 183 bases de conhecimento, ontologias e termos são usados no sistema, formando o Knowledgebase do sistema.  
O NOSQL usado neste projeto é o AllegroGraph e Hive(solução de DW que roda sobre o Hadoop e foi desenvolvido inicialmente pelo FB e hoje atende ao Netflix). O Datalake, em si, é armazenado no Hive (DW) e os dados são tratados, na forma de redes semânticas, via o Allegrograph , um BD NoSQL do tipo grafo. Usam o SPARQL, uma  linguagem espécie de SQL like para buscar informações de nós e arcos. O Allegrographo forma com o Neo4J, a dupla de destaque dos produtos NOSQL da categoria BD de Grafos.

Objetivo final:

No fundo, o que o sistema busca, de forma reduzida e simplificada, é melhorar as ações de diagnósticos, cruzando instantaneamente sintomas de um certo paciente  e procurando similaridades com outros pacientes que já manifestaram o mesmo problema, onde um conjunto gigantesco de informações já coletadas, poderá produzir e melhorar as inferências sobre aquele caso em análise. Foi citado o caso grave de um garoto internado com alergia a amendoim e que por correlações não diretas descobriu-se que tinha asma, detectado por uma rede de conhecimento entre alergia a amendoim, dermatite e asma.  O sistema também poderia responder query do tipo: Quantos pacientes com um diagnóstico relacionado com dores abdominais (X) , no espaço de 30 dias, retornaram com um diagnóstico relacionado a pedras na vesícula (Y), depois de 10 dias ?  O desenvolvimento da Ciência de dados , numa ambiente deste tipo, poderá trazer respostas para previsões em torno de possíveis doenças(a acontecer); a probabilidade de readmissão(reincidência da doença dentro de x dias), a efetividade dos procedimentos e dos medicamentos usados; o que poderia ser melhor para um certo paciente, dado o conjunto particular de doenças e seus aspectos genéticos, a efetividade e a eficiência dos provedores envolvidos(médicos, enfermeiras, departamentos, etc), etc  Os algoritmos de similaridade entre pacientes são possíveis pelos links definidos no sistema entre ontologias diversas. O conceito de “data provenance” e “data lineage” são considerados fundamentais nesse contexto, rastreando-se a origem dos dados (provenance), considerando todos os passos intermediários por onde o dado transitou (lineage), podendo analisar a sua qualidade e possíveis erros. Tudo isso é fator fundamental quando se fala de dados sobre saúde e vida.   

Resumo da ópera:

A palestra foi focada especificamente em Health Information System, onde dados são importantes pelo papel que representam na saúde e na vida da população. Foi feita, na sua primeira parte pelo Chief Technical Officer (CTO) da organização médica que desenvolve o sistema, num centro de excelência em Nova York, A palestra deixou algumas dúvidas, justo pela alta especialização do tema Na segunda parte falou o CTO da empresa que oferece o produto(Allegrograph), numa simbiose comum nesses eventos. O entusiasmo de quem usa e o produtor daquilo que é usado como “tool”, sempre produzem palestras com visão muito otimista, onde problemas e restrições naturais de qualquer solução não são trazidas para os PPT´s. Assim, todo filtro é cuidadoso e sugerido..   

quarta-feira, 6 de julho de 2016

GD nas MPME-Governança e Gestão de dados nas micro, pequenas e médias empresas-Parte IV-Final


Fechamos neste post, os conceitos de Gestão e Governança de dados, com foco em PME. Nas publicações anteriores já discutimos os pontos principais, seguindo uma espécie de roteiro direcionado pelos corpos de conhecimentos da DAMA-DMBOK® e ideias de DMM. Hoje concluiremos com :
6)Integração e Interoperabilidade em PME
       Pensar  nas camadas da arquitetura e suas formas de interoperação(formas de integração, mensagens, etc). Documente a arquitetura usada no seu ambiente e no produto em desenvolvimento, sempre de forma prática e fácil. Vale pensar em  post-its, desenhos artísticos/lúdicos, etc, desde que devidamente preservados e identificados.
7)Dados Mestres e Referências em PME
       Pensar na mesma linha já discutida nas partes #2 e #3-Arquitetura e Modelos, atentando para o registro de dados considerados Mestres e Referenciais, em primeira fase. Focar nos dados mestres existentes na sua ambiência, priorizando os de maior criticidade e impacto, como por exemplo, Clientes e Produtos. Focar também nos principais dados de referência: CEP, Códigos, CID, etc. Pratique essa visão de dados sempre com a disponibilidade do seu oxigênio.
8)DW e BI em PME
       Considerar que esse Corpo de conhecimento poderá ser demandado numa fase mais adiante, a menos que a empresa startup esteja desenvolvendo o seu core em DW/BI;
       Pensar em estruturas mais simples, como Data Marts, ou cubos dinâmicos para serem usados em registros e tratamento de métricas, como em ambientes de lean startups, por exemplos;
       Pensar em informações gerenciais, com visualização “friendly” de dados, usando ferramentas “frees” existentes, como por exemplo Pentaho, ou via assinatura de produtos na nuvem(QlikView, Tableau, PowerBI);
9)Documentos e Conteúdo em PME
       Considerar a gestão de dados documentais, criando estruturas de Pastas para armazenamento de emails, contratos, regras de compliance relativos ao produto, ou relativo às regras da Aceleradora ou Incubadora, etc. Considerar uma forma de classificação de diretórios e pastas que mapeie a realidade da sua empresa ou setor;
10)Metadados em PME
       Já discutido no tópico de Arquitetura. Considerar um repositório simplificado com glossário de negócios, com termos principais e suas definições. Buscar algo simples, com eficiência de busca, como ferramentas livres, planilhas Excel, etc. Se tiver capacidade, a PME poderá focar em outros níveis de metadados(lógico, físico, operacional), mas nesse momento valem os metadados de negócios;
11)Gestão de Qualidade de Dados
       As empresas emergentes e PME devem refletir que aqui se fala de algo que transcende o tamanho das empresas. A qualidade de dados é fator fundamental nas tomadas de decisões, ambiente de “compliance”  e gerência de riscos, independentemente do porte da organização. Empresas PME e nascentes, que vivem num ambiente de alta incerteza deverão, ainda mais, estar atentas a esse item da GD. Para tal, auditoria de qualidade via  processos de “Profiling” e correções via  “Cleansing” são fundamentais. De novo, é importante priorizar os dados mais críticos e sensíveis da empresa, para realizar, de início, uma gestão de qualidade que seja factível. Não tente “boil the ocean” e foque nos dados mais sensíveis;
       Auditoria por QA. As auditorias eventuais, realizadas por alguém com chapéu de QA(Quality assurance) poderá instilar nas empresas(mesmo nas menores) o senso de tentar fazer certo pela primeira vez(princípio do Lean), evitando desperdícios e retrabalhos. As funções de QA(Garantia de qualidade), presentes nos modelos DMM e MPS podem ser uma boa ideia para um início de vida organizacional com mais apuro na realização dos processos importantes da empresa.
Resumo: Uma PME pode e deve se preocupar com seus dados, mesmo com recursos limitados. Não é necessário ter uma estrutura de Gestão e Governança de uma grande empresa para começar a dar os primeiros passos em direção à uma  organização que pode sustentar os seus negócios, conhecendo um pouco mais os seus dados. Dentre os corpos de conhecimentos discutidos, alguns são mais exequíveis do que outros numa PME e, por isso, deverão ser priorizados. Pense naqueles que podem ajudá-lo na gerência dos seus riscos mais ameaçadores. Veja , por exemplo, o link http://goo.gl/IJ6QaF , onde se evidencia a fragilidade das  PME(SMB´s) com relação à invasões de dados. Considere os seus dados como elementos organizacionais e não como elementos colaterais de códigos e de Create tables e veja onde a sua PME poderá se valer desses conceitos de GD. No futuro, você se certificará que valeu a pena.... A figura 01,  a seguir , mostra na forma de Post-IT, um resumo prático de como as PME podem começar a pensar nos seus dados, num conceito de MGD-Ágil, associado aos aspectos de UAAI-Learning(Para detalhes, veja no Slideshare link http://goo.gl/ijSzcX). Isso foi colocado na apresentação que fizemos para as PME´s na Fumsoft, acerca de Gestão e Governança de dados, na primeira de uma série de interlocuções que pretendemos desenvolver com esse segmento de organização.


Dados como Business-Alternativas em PME
Um outro aspecto importante a se considerar na relação startups e dados é justamente o fato dessas empresas emergentes poderem fazer dos dados o seu “core business”. Nos EUA, com o governo Obama, foram colocados à disposição, como Open Data, diversos arquivos sobre assuntos variados de interesse da comunidade. Em 2013, por exemplo, 389.000 arquivos foram disponibilizados para uso público. Ver detalhes no endereço  http://www.kdnuggets.com/datasets/government-local-public.html . Nesse endereço há inúmeros data sets disponibilizados, com dados de âmbito nacional, estadual e municipal de todo os EUA.  É justamente nesta brecha que muitas startups estão começando a sua vida, com sucesso. Aplicações como Crimespotting.org, que mapeia os crimes da cidade de Oakland, na Califórnia, via um aplicativo que se tornou referência na cidade. No Reino Unido, o site data.gov.uk, tem mais de 15.000 arquivos disponibilizados, nos mais diferentes ramos do interesse público: saúde, transporte, meio-ambiente, etc. Mais de 270 startups de lá já desenvolvem aplicativos usando esses dados. Uma das áreas menos exploradas e com um apelo forte e sedutor para uma startup seria, por exemplo, um produto que possibilite a gerência de dados de água(water management). No Brasil há o site dados.gov.br, onde podem ser encontrados dados públicos de qualquer natureza e agora o retorno do Data Viva, lançado pela Fapemig em colaboração com a UFMG (dataviva.info) .

Data VIVA e as PME
O DataViva é uma base de informações de natureza variada. Contempla dados sociais, econômicos, escolares, vocação industrial, tipos de produtos por setor econômico, dados da RAIS(informações de natureza trabalhista), etc. Inicialmente focado no estado de MG, o programa gradativamente está agregando  outros estados da federação. O programa prevê a incorporação gradativa de novas bases de dados  como o DataSus (dados do sistema único de Saúde).  Possui hoje  cinco grandes bases de dados, com 11 aplicativos de visualização de dados e tem dados de todos os municípios brasileiros.
Esse projeto se apresenta como uma grande fonte de oportunidades para startups e PME que podem desenvolver “apps”  inteligentes, baseados em mining e analytics, a fim de se prospectar correlações escondidas e necessárias entre diversas fontes de dados,  com alto valor potencial de mercado.  A riqueza  de informação escondida numa fonte desta natureza está longe de ser conhecida e explorada no Brasil. Seria o momento de uma esquadrilha de startups/PME partirem para a criação de produtos de inteligência inferencial, incrementando as áreas de inovação em dados. Hoje, o sistema oferece um conjunto de buscas que mostra os dados sobre fatos que já passaram. O momento é a busca inferencial, tentando adivinhar o futuro, via esses preciosos ativos...


Conclusões:
A Gestão e governança de dados em empresas PME ou nascentes deverá ser buscada, se não com o intuito de uma implementação plena, mas com o objetivo de aculturamento e preparação para o futuro. Há espaços para movimentos construtivos em direção a um maior controle de dados, mesmo com certas limitações de recursos e com um foco reduzido e simplificado. Patrocínio atrelado à motivação, atribuições pessoais ao invés de estruturas formais, controles realizados de forma coloquial em reuniões periódicas já existentes (“data meetups”), poderão tirar as empresas menores de um limbo , onde os dados continuam como elementos acessórios. Empresas que ousarem ter um controle melhor de seus dados ganharão na sua gestão e desenvolverão práticas que as conduzirão a um futuro melhor controlado. Quando este chegar, os fantasmas de Big Data e IoT(Internet das coisas)  já não serão tão amedrontadores. Outro caminho de afinidade com os dados será o seu uso como elemento core de seus negócios, através da infinidade de arquivos  abertos e franqueados por instituições públicas. Nos EUA  e Europa se diz: Data is the new oil, data is the new soil(Dado é o novo petróleo, dado é o novo solo). Pense nisso...        

Referências:

Amazon Web Services. Disponível em aws.amazon.com.Acesso em : 01 mai 2016.
A Beginner´s guide to cloud computing. Disponível em www.itportal.com. Acesso em: 12 mai 2016.

DAMA-DMBOK®-Guide to the Data Development Body of Knowledge-First edition.

DAMA-DMBOK2-Framework-Março de 2014.

Data Management Maturity (DMM) Model-CMMI Institute-2014-version 1.0.

Governança Corporativa para pequenas e médias empresas”, Coordenação de Bernardo Portugal e organizado por Lúcia Zimmermann. Editora LTR.

What is cloud computing? A beginners guide. Microsoft Azure. Disponível em azure.microsoft.com.Acesso em: 15 mai 2016. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

GD nas MPME-Governança e Gestão de dados nas micro, pequenas e médias empresas-Parte III.



Modificações de modelos e alterações de Arquitetura em PME-Daily data meetup
       Alguns processos de controles sobre os dados, como modificações de modelos e alterações de arquiteturas também ficariam no radar da GD. Isso tudo poderia, por exemplo, ser discutido, em reuniões diárias/periódicas (data meetups), juntamente com o daily scrum, ou em frequências menores. Como nas PME´s  o daily scrum é quase uma reunião da empresa toda,  isso alcançaria os propósitos de se elevar o tema “dados” para um patamar mais “organizacional”. Os conceitos emergentes de DataOps tocam nesse ponto, visando justamente uma aproximação(no estilo DevOps), dos dados com a operação da empresa. Com relação aos padrões, provavelmente já há alguns definidos e as ações de GD focariam na sua documentação, divulgação, juntamente com um olhar conjunto sobre sua real adoção, numa espécie de QA de dados. Assim, neste contexto, perguntas sobre mudanças em processos de dados, em políticas de dados, em arquiteturas (novos tipos de clientes, novos tipos de serviços), em aspectos de segurança, compliance, etc seriam encaminhadas e discutidas. Tudo isso, repito, de forma enxuta. Essa visão rápida poderá trazer benefícios de se manter um controle sobre as ações, pendências e , mais importante, trazendo para a bancada o foco sobre os ativos de dados;
Compliance com agentes reguladores ou com aceleradoras /incubadoras
       Sobre regulamentações demandadas no assunto “core business” da empresa PME/Startup(como gestão na área de saúde, energia elétrica, exigências do Banco Central, ou de qualquer entidade reguladora) torna-se fundamental a observação dos aspectos de “compliance”, ou exigências formais requeridas. A empresa PME ou startup também deve controlar os seus próprios aspectos de “compliance” ou regulação juntamente com a Aceleradora/Incubadora ou organismos assemelhados, por quem são controladas. Por exemplo, a área da Qualidade da Fumsoft, com 3 pessoas na equipe, controla as regras de regulação que devem ser observadas  com relação à Softex, Certics, CMMI Institute, Prefeitura  de BH e outras instituições com as quais a Fumsoft tem (teve) obrigações de prestação de contas(que são sempre feitas por envio de dados e informações), e claro, exigem desses elementos um certo grau de qualidade;
       Embora não diretamente relacionado com busca por certificações nessas empresas, alguns frameworks existentes podem apoiar como referências de boas práticas de  governança/gestão  de dados: DMM (CMMI Institute-ISACA), DAMA-DMBOK®, ISO-8000, Governança Corporativa (COSO ERM); Governança de TI (ISACA-COBIT); Arquitetura Corporativa (Zachman Framework, TOGAF); Ciclo de vida de desenvolvimento de sistemas (Rational Unified Process, SWEBok); Melhoria do Processo de Desenvolvimento de Sistemas (MPSBr e CMMI); Gestão de Projetos (PRINCE II, PMI PMBOK); Gestão de Serviços de TI (ITIL, ISO 2000),etc.   
2)Arquitetura de dados em PME.
Aqui as empresas startups ou PME´s poderão pensar em documentos simplificados que ajudem no entendimento de pontos como:  
       Mapeamento das principais Áreas, Processos e Dados do produto ou da PME;
       Classificação simplificada dos dados  em: Dados Mestres, Transacionais, Referenciais, Funcionais e  Informacionais como forma de melhor entendê-los e explicá-los. Os dados informacionais, por exemplo, poderão abrigar as métricas fundamentais para as empresas startups/PME acompanharem os ciclos de seus produtos e as medidas de sua viabilidade. O DropBox, citado como exemplo de empresa que aplicou o conceito de Lean startup para desenvolver os ciclos de seu produto de armazenamento de dados, certamente manteve, durante seu “lean” repositórios com indicadores vitais, que transmitiam o alcance do produto minimamente viável. Certamente dados produziam indicadores sobre número de assinantes gratuitos, número de assinantes pagos, número de assinantes por convite de amigos, número de uploads efetuados, etc;
       Manter a documentação dos dados num nível elevado(sem  exagero de detalhes) no início e depois ir melhorando gradativamente, na medida em que houver necessidade/recursos para fazê-lo. Porém lembre-se: detalhe somente no nível das necessidades e da praticidade compatível com os seus objetivos. Busque um equilíbrio entre a necessidade de documentar e gerir os dados da PME e o custo e tempo que isso implica. Principalmente numa empresa com escassez de recursos humanos. Procure encontrar um equilíbrio aqui;
       Criação de esquemas simplificados de dados em ferramentas free (Bizagi, por ex). Podem se ater a um modelo conceitual mais simplificado, que sirva como base para os modelos físicos relacionais ou NOSQL;
       Pensar na forma de implementar um  Glossário de negócios: Considere usar ferramentas existentes como Wikimidia, Excel; Google Docs, Google sites, Trello, etc para registras as definições de termos de negócios, de tal forma que os conceitos fiquem padronizados e entendidos por todos, e além disso, de forma “searchable”. O DMM faz menção direta ao Glossário de negócios e metadados, na sua categoria Governança de dados. O Glossário de negócios endereça os principais termos (de negócios)  da empresa e o processo de metadados foca nas visões de documentação dos dados nos planos lógico, físico e operacional. Uma PME deverá criar o seu Glossário de negócios como prioridade principal da ação de metadados. Os outros níveis de documentação dos próprios dados deverão se ater ao plano físico (em função do apoio das ferramentas) e , caso possível, no âmbito operacional e lógico.
3)Modelagem e Projetos de dados em PME
       Analisar a pertinência de ter uma visão mais detalhada dos dados, com foco nos aplicativos em uso ou em desenvolvimento;
       Separar as tecnologias de dados adotadas em : Relacional-Bancos NOSQL-Hadoop/MapReduce, ou processadores InStream (Spark,Splunk), para Big Data em tempo real. Você provavelmente usará uma ou mais delas;
       Considerar a retenção de informação mínima sobre a tecnologia usada, principalmente no caso de “NOSQL”, com racional de objetivos e motivações de escolha daquela opção. Lembre-se que diferentemente do modelo relacional, que pode ser usado para uma variada gama de aplicações, os bancos NOSQL são mais especializados, com uma variedade de opções por tipos(Chave-valor, Multicolunar, Documentos, Grafos, etc). Portanto, antes de comprar/buscar um, faça a pergunta fundamental -Why(Por quê) eu preciso de um? Preciso de Escalabilidade?, Consistência? Disponibilidade? Volume?. Qual é o eu problema?
       A representação gráfica, conceitual, lógica e física dos dados poderá ser feita de forma otimizada, escolhendo-se o devido nível de abstração que se deseja para cumprir a missão de transmitir informação para a equipe/empresa. Não documente por documentar, mas sim pelo seu potencial uso prático;
       A documentação por ambiente, envolvendo objetos em Teste ou Produção é fundamental para se ter o princípio mínimo de gerência de configuração. Veja se isso cabe no seu oxigênio..
4)Armazenamento e Operações de dados em PME
       Os padrões de operações de dados(backup, tipo, frequência, retenções/archiving), privacidade(quem pode fazer o quê, onde) também são pontos que podem ser discutidos no âmbito desta visão geral de gestão periódica, onde teríamos os meetups de dados, com freqüências e assuntos distribuídos, de acordo com a priorização dada. No caso de operações nas nuvens, o controle seria com o foco nos níveis de SLA, conforme discutido anteriormente. O DMM possui categorias próprias para tratar tanto Arquitetura quanto Operações de dados. Na arquitetura o foco vem juntamente com a visão sobre plataformas usadas. Nas operações de dados , o foco é sobre os requisitos e o ciclo de vida dos dados. Os requisitos de dados são necessários, por serem o ponto de partida, independentemente do porte das empresas. Já o detalhamento dos processos e de como os dados circulam por eles, exigiria mais maturidade e oxigênio de empresas com recursos limitados. Entretanto, algumas definições simplificadas, na forma gráfica, acerca de processos de negócios e de GD, bem como outros controles podem ser feitas em diagramas do Bizagi, uso do Trello, ou   Googledocs, Google sites, etc;  
       Como já falado, deve-se ter uma documentação mínima do ambiente tecnológico de dados, com tipos e versões de SGBD´s ou equivalentes e com arquiteturas e camadas registradas; Se você estiver em Cloud, documente os recursos que você contratou em termos de Máquinas e processadores, memória, disco, banda, etc, conforme discutido anteriormente. Controle as aplicações de correções nos produtos envolvidos, garantindo a sua estabilidade. Se você estiver em Cloud, registre e garanta que o SLA do serviço está sendo cumprido;
       Governe e cuide das políticas, processos e procedimentos de backup, recovery dos bancos, retenção de dados históricos, etc, assegurando a continuidade operacional dos serviços e os acordos definidos com seus usuários. Se você estiver em Cloud, registre e garanta que o SLA do serviço está sendo cumprido;
5)Segurança de Dados em PME
       A Segurança de dados é outro ponto da gestão de dados que as empresas startups e PME deverão observar com cuidado. Pesquisa da Verizon(2013) indica que esse tipo de empresa é a mais vulnerável dentre todas. Uma espécie de presa fácil para os hackers, segundo a pesquisa, dada à possível exposição e fragilidade, próprias das estruturas ainda em formação. Assim a Gestão e Governança de dados, nessas empresas passará por definições de Políticas de Segurança(Quem pode acessar o quê, onde e como, aspectos de ID e senhas, de troca de senhas,etc), de Criptografia, de Sync and Share (como DropBox/ Google Driver,com aspectos de granularidade, segurança,integração com dados on-premises,etc);
       Pensar em registros históricos de problemas, breaches/invasões, quebras,etc, visando aumentar a camada de proteção.
       Se a empresa estiver em cloud, vale a discussão anteriormente feita;

Referências:

       Amazon Web Services. Disponível em aws.amazon.com.Acesso em : 01 mai 2016.
       A Beginner´s guide to cloud computing. Disponível em www.itportal.com. Acesso em: 12 mai 2016.

       DAMA-DMBOK®-Guide to the Data Development Body of Knowledge-First edition.

       DAMA-DMBOK2-Framework-Março de 2014.

       Data Management Maturity (DMM) Model-CMMI Institute-2014-version 1.0.

       Governança Corporativa para pequenas e médias empresas”, Coordenação de Bernardo Portugal e organizado por Lúcia Zimmermann. Editora LTR.

       What is cloud computing? A beginners guide. Microsoft Azure. Disponível em azure.microsoft.com.Acesso em: 15 mai 2016.