Mensagem aos formandos da Ciência da Computação-Fumec-2009
No jornal do domingo, dia 24 de Maio, duas notícias chamavam atenção pelo contraste:
1) O ex-presidente da Coréia do Sul, havia se suicidado no dia anterior, depois de 5 anos de mandato. Acusado de envolvimento com corrupção(teria recebido milhões de dólares de uma empreiteira), suicidou-se envergonhado, se atirando de um despenhadeiro, deixando uma carta sobre o seu ato... Fosse isso uma mania por aqui, estariam bilionárias as indústrias dos jazigos e dos crematórios;
2) Logo abaixo, vinha a outra notícia: A Petrobrás, maior empresa brasileira, gastou mais de R$600 milhões de reais com ONG´s suspeitas e fantasmas, que recebiam dinheiro , sem qualquer fiscalização ou necessidade de comprovação de gastos.Milhões desviados da maior empresa brasileira, na calada da noite e sob o beneplácito da nossa eterna mansidão bovina...
Que país é esse em que vocês vivem, perguntaria atônito, um marcianito, que por aqui descesse :
Um pais que teve Pelé,Garrincha e Tostão, mas vive sendo driblado por políticos oportunistas, governantes corruptos e juizes lenientes.
Um país que teve Airton Senna e tem Felipe Massa, mas sempre chega nos últimos lugares nos grandes prêmios pela honradez e pela honestidade ;
Um país que teve a irmã Dulce, mas que considera otários os que pagam seus impostos em dia, respeitam as filas, agem com decência. Um pais em que os honestos e os com retidão de caráter se sentem, as vezes, acuados e ruborizados ;
Um país que teve juristas como Rui Barbosa, Raimundo Faoro e Sobral Pinto, mas que tem uma justiça cuja lógica deixa atônitos os bueiros e as sarjetas da Rua da Bahia.
Uma justiça que condena uma pobre senhora viúva que cuidou de um papagaio que lhe caiu no terreiro, no Alípio de Melo e que se transformou na sua única companhia de vida. Foi condenada implacavelmente pelo crime inafiançável de tráfico de animais silvestres. Justiça rápida e expedita, mas que se torna tetraplégica quando falamos de banqueiros poderosos, governantes comprometidos e de delinqüentes políticos de bigode acajú .
Sou da época em que crack era Pelé,Tostão e Rivelino, em que bala perdida era o caramelo esquecido sob a carteira do ginásio e que ato secreto era o encontro furtivo com a outra namorada....
E porque essas colocações talvez incômodas e ácidas, nesse domingo de festas e de celebração? Por que vocês, meus caros formandos da nossa Fumec, são e serão sempre parte integrante de uma frota de novas esperanças. Por aqui se cultiva valores como formação, família, caráter, retidão e competência, insumos necessários para mudarmos esse patropí esquisitão. E você provaram ter isso.Vocês representam o desejo renovado da opção pelo correto, pelo justo e pelo digno.
A esperança cíclica de que uma nova safra de brasileiros, formados e centrados em valores diferentes dos atuais , possa mudar algo de substancial neste pais produzindo gestos, atitudes e mudando conceitos, que nos tire definitivamente, do anedotário da história.
Blog que objetiva a discussão de conceitos de Governança e Gestão de Dados com os serviços de DM (Data Management) associados(Arquitetura,Modelagem de dados,BD,DWBI,MDM,DNE,Qualidade de dados,Metadados,etc) Também aspectos de maturidade via modelos MPS.BR,CMMI(ambos para Eng de SW) e DMM (Dados), além das novas formas e influências dos dados na sociedade digital.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
A IBM e os novos caminhos do BI-2009
A IBM anunciou em julho/2009, a compra do produto SPSS, por 1.2 bilhão de dólares. O produto focado para a área de análise preditiva deverá forçar a IBM a tomar uma decisão sobre um outro produto já existente na família: O Intelligent Miner. O caminho do Intelligent Miner será, provavelmente, o de perder o seu status solo e se incorporar às trincheiras do DB2 No mesmo dia em que anunciou essa aquisição, a IBM também lançou novos conceitos, como sempre, contendo rótulos interessantes e moderninhos:IBM Smart Analytics System e IBM Smart Optimizer System. A primeira proposta evidencia duas fortes tendências da Big Blue: A primeira delas, montar uma camada com o apelo da palavra da moda: Analytics. A IBM, através do seu também comprado Cognos 8, oferece um ferramental para consulta, relatórios, dashboard e processamento OLAP. Não tem nele as funções de mining e análise preditiva, que será oferecida, a partir de agora, pelo recém-adquirido pacote da SPSS. Essa combinação de processamento de BI e Mining, que será estendida para outras máquinas(não somente mais para as do genoma IBM), traz à tona uma outra tendência que se torna cada vez mais clara nos domínios das grandes produtoras de tecnologia : A IBM está entrando no mundo do chamado BI Appliance-conceito de utensílio de BI, onde uma solução é oferecida na sua totalidade, do tipo, porteira fechada, como se diz no interior. A solução virá empacotando serviços, máquinas, softwares aplicativos, softwares básicos, consultorias, etc. Isso traz a IBM de volta ao passado. Houve um tempo (anos 80) em que a IBM vendia tudo sob a sua sigla: da máquina, ao sistema operacional, do SGBD ao monitor de comunicações(o nome do equivalente a servidor de aplicações da época). Naquele tempo, o cliente ia buscar na IBM a solução completa para as suas necessidades de processamento.A velha IBM está de volta, e entra no mundo de BI, com os moldes de ontem, sem que isso signifique desvantagem.O outro anúncio da Big Blue também promete. Há muito tempo, a área de BD tem se defrontado com desafios impostos pelos perfis diferentes de sistemas e necessidades de tratamentos diferenciados de dados. O mundo se divide na dicotomia OLTP, para processamentos transacionais e OLAP para os processamentos informacionais. Essas duas formas de processamentos visam objetivos diferentes e exigem estruturas diferenciadas A saída foi quebrar o mundo dos BD em 2 universos distintos: BD processando transações convencionais e BD montando DW, com processamentos informacionais e analíticos, sob grande demanda no momento. A velha dicotomia OLTP e OLAP parece que poderá desaparecer num futuro próximo. A nova proposta da IBM, através do Smart Analytics Optimizer, a ser lançada no último trimestre de 2009, será um engine que objetiva definir taxas altíssimas de transações, dentro do seu mainframe da linha System Z. A idéia central é colocar os dados de alto tráfego em pools de memória de até 1 TB(veja bem, 1 terabyte) e através de compressão e processamento de vetores, aumentar em até 10 vezes os indicadores de performance.O otimizador do DB2, esperto como é, saberá direcionar a consulta para o BD definido in-memory ou para o BD transacional. A idéia é tentar oferecer num único produto o melhor dos dois mundos: o processamento transacional e o processamento analítico.Isso evitará os custosos e quase sempre demorados processos de ETC que fazem a ponte entre os 2 mundos. A IBM prevê a sua chegada num patamar onde a Oracle já oferece algo semelhante com o Oracle DB Machine e Exadata Storage Server e a Microsoft planeja e desenvolve o seu equivalente, sob o label de Projeto Gemini. Bem vinda , Big Blue, ao mundo fascinante dos processamentos dimensionais.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A internet e o cerebelo de Gerken
Artigo publicado em janeiro de 2003, em homenagem a Joel Gerken
Há quem diga que a Internet é a grande revolução social deste momento pororoca entre os dois séculos que presenciamos como testemunhas declaradas em cartório. Frase, relativamente gasta, mas de uma verdade compulsória. A grande teia tem provocado mudanças óbvias, algumas delas exaustivamente autopsiadas por esses retângulos de papel da mídia impressa e códigos html da mídia eletrônica. Exemplos de compra eletrônica, empresas em tempo real , jornais virtuais, etc . Outras, menos óbvias aparecem no nosso dia a dia e tocam dimensões por vezes imperceptíveis ou desconhecidas. A internet tem modificado certos vocábulos das línguas clássicas. Surfar, agora pode ser sem prancha., na língua inglesa. Navegar é preciso e pode ser realizado, somente tendo o Google, como bússola. A palavra portal, de uso bastante específico na nossa língua e, segundo Aurélio, com um foco arquitetônico: “A porta principal, ou o conjunto das portas principais, dum edifício nobre, ou de templo, em geral artisticamente ornamentadas” ou circulatório com “pertencente ou relativo à veia porta”, é um outro exemplo. Guindada ao conceito de entrada virtual dos grandes sites, a palavra foi trazida também para a nossa língua para definições mais abstratas. Recentemente, em viagem pela região de Minas, onde os campos das vertentes flertam com as montanhas da Mantiqueira, encontro Mindurí, pequena cidade auto denominada o grande portal do eco-turismo do sul de Minas. Nada físico, nenhum pórtico, mas tudo tão imaginário, quanto sugeriu a internet e um saboroso contraste entre o virtual do termo e os contrafortes do sul mineiro. Um outro exemplo de força da grande rede, veio de um amigo dileto. Surpreendido por um problema de saúde repentino e não explicado por vários médicos de São Paulo e BH, esse antigo analista de sistemas recorreu ao pronto socorro virtual das informações disperso na grande rede. Fez buscas intensivas, participou de chats, mergulhou em grupos de interesse, sempre em busca de algo que pudesse explicar, ou pelo menos sugerir, o mal que se aproximava, e que produzia sérios “interrupts” de alguns de seus periféricos(braços e pernas). Depois de muitas informações pacientemente elaboradas e discutidas com um jovem neurologista do Hospital Vera Cruz, foi feito o diagnóstico. O cerebelo, pequena engenhoca atachada à parte posterior da placa mãe do cérebro, começava a dar sinais de abends e desregulou a produção do liquor, espécie de envólucro hídrico do nosso backbone (medula). Como , infelizmente, nem todos os nossos componentes foram projetados para ser “fault tolerant”, e o cerebelo não é “hot swappable”, a saída foi esticar um tubinho que drenasse o liquor em excesso, diretamente para o intestino, criando um salvador segmento de rede, sem hubs ou switchs. Depois de 6 cirurgias, este amigo, outrora condenado, segue uma vida (praticamente) normal. Almoçamos juntos, uma vez por mês, e acabei testemunha da tenacidade de duas pessoas: Um leigo paciente, mas determinado analista de sistemas, que acreditou na força da informação dispersa na rede. Soube , extrair, filtrar, analisar, tal como um analista de Business Intelligence e tomar decisões, como um usuário. O outro, um jovem médico desafiador do impossível. Essa é a internet e suas influências. Resolvi escrever essas linhas, para garantir a veracidade desta história, que poderia ser confundida com outras ficções que circulam pela grande nuvem. Tal como o mundo real, a grande teia é cheia de imperfeições e virtudes. O negócio é ser como os nordestinos e encostar sempre no lado bom da rede....
Há quem diga que a Internet é a grande revolução social deste momento pororoca entre os dois séculos que presenciamos como testemunhas declaradas em cartório. Frase, relativamente gasta, mas de uma verdade compulsória. A grande teia tem provocado mudanças óbvias, algumas delas exaustivamente autopsiadas por esses retângulos de papel da mídia impressa e códigos html da mídia eletrônica. Exemplos de compra eletrônica, empresas em tempo real , jornais virtuais, etc . Outras, menos óbvias aparecem no nosso dia a dia e tocam dimensões por vezes imperceptíveis ou desconhecidas. A internet tem modificado certos vocábulos das línguas clássicas. Surfar, agora pode ser sem prancha., na língua inglesa. Navegar é preciso e pode ser realizado, somente tendo o Google, como bússola. A palavra portal, de uso bastante específico na nossa língua e, segundo Aurélio, com um foco arquitetônico: “A porta principal, ou o conjunto das portas principais, dum edifício nobre, ou de templo, em geral artisticamente ornamentadas” ou circulatório com “pertencente ou relativo à veia porta”, é um outro exemplo. Guindada ao conceito de entrada virtual dos grandes sites, a palavra foi trazida também para a nossa língua para definições mais abstratas. Recentemente, em viagem pela região de Minas, onde os campos das vertentes flertam com as montanhas da Mantiqueira, encontro Mindurí, pequena cidade auto denominada o grande portal do eco-turismo do sul de Minas. Nada físico, nenhum pórtico, mas tudo tão imaginário, quanto sugeriu a internet e um saboroso contraste entre o virtual do termo e os contrafortes do sul mineiro. Um outro exemplo de força da grande rede, veio de um amigo dileto. Surpreendido por um problema de saúde repentino e não explicado por vários médicos de São Paulo e BH, esse antigo analista de sistemas recorreu ao pronto socorro virtual das informações disperso na grande rede. Fez buscas intensivas, participou de chats, mergulhou em grupos de interesse, sempre em busca de algo que pudesse explicar, ou pelo menos sugerir, o mal que se aproximava, e que produzia sérios “interrupts” de alguns de seus periféricos(braços e pernas). Depois de muitas informações pacientemente elaboradas e discutidas com um jovem neurologista do Hospital Vera Cruz, foi feito o diagnóstico. O cerebelo, pequena engenhoca atachada à parte posterior da placa mãe do cérebro, começava a dar sinais de abends e desregulou a produção do liquor, espécie de envólucro hídrico do nosso backbone (medula). Como , infelizmente, nem todos os nossos componentes foram projetados para ser “fault tolerant”, e o cerebelo não é “hot swappable”, a saída foi esticar um tubinho que drenasse o liquor em excesso, diretamente para o intestino, criando um salvador segmento de rede, sem hubs ou switchs. Depois de 6 cirurgias, este amigo, outrora condenado, segue uma vida (praticamente) normal. Almoçamos juntos, uma vez por mês, e acabei testemunha da tenacidade de duas pessoas: Um leigo paciente, mas determinado analista de sistemas, que acreditou na força da informação dispersa na rede. Soube , extrair, filtrar, analisar, tal como um analista de Business Intelligence e tomar decisões, como um usuário. O outro, um jovem médico desafiador do impossível. Essa é a internet e suas influências. Resolvi escrever essas linhas, para garantir a veracidade desta história, que poderia ser confundida com outras ficções que circulam pela grande nuvem. Tal como o mundo real, a grande teia é cheia de imperfeições e virtudes. O negócio é ser como os nordestinos e encostar sempre no lado bom da rede....
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Informática e a responsabilidade social
Publicado em setembro de 2004
São 5:00 h da manhã no interior do Piauí. Tertuliano Silva Filho, 10 anos ,espera pelo caminhão que o levará da zona rural de Demerval Lobão, até a cidade, localizada a 30 Km ao sul de Teresina. Tertuliano se prepara para mais um dia de aula. Já colocou no embornal a lasca de rapadura e o pão dormido, que lhe garantirão a estabilidade até voltar, lá pelo fim do dia. A escola onde Tertuliano estuda, nos arredores de Demerval Lobão era uma das muitas que seriam contempladas com alguns computadores ligados à Internet, oriundos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços deTelecomunicações), criado em 2000, com um enorme estoque de dinheiro originado de receita operacional bruta das empresas de telecomunicações e de outras alíquotas legais. Previa-se a colocação de 250.000 computadores em 12.500 escolas públicas de ensino médio no Brasil. Pois bem. Quatro anos depois e com uma montanha de mais de 2 bilhões de reais, o FUST continua silencioso como as madrugadas do semi-árido piauiense. Mudou o governo, mas os nossos burocratas e tecnocratas, certificados ISO-9001 em lentidão e travamentos, ainda encontram dificuldades para resolver o “deadlock” em que se meteram, quando criando uma mistura explosiva de tecnologia e política, paralisaram o projeto que faria Tertuliano conhecer o mundo pelos olhos da internet. No impasse de discussões sobre Microsoft e Linux, Bill Gates e Linus Torvalds, Office e Star-Office, os bilhões do FUST foram sendo silenciosamente contingenciados em nome do enigmático superávit primário. Enquanto isso, Tertuliano continua achando que “grande rede”, é somente aquele artefato rústico, que seus pais esticam no único cômodo da casinha do sertão, onde dormem a espera de que os homens públicos acordem.
Agora são 12:30 de uma sexta feira típica de Belo horizonte, quando até as almas barrocas esperam a noite chegar para se encontrar nos botecos. O analista de sistemas P.H.A, que trabalha numa grande empresa de software mineira, produtora de ERP, se prepara para o melhor “caso de uso” do mês. Ele, juntamente com o analista de bancos de dados A.M.T, irão se apresentar para uma platéia especial. Os dois fazem duetos e vocais ao violão, onde cantam todo o repertório dos Detonautas e dos Skank. Hoje estarão se apresentando a um grupo de pequenos pacientes , na enfermaria do Hospital do Câncer Infantil. Não o fazem somente por iniciativa própria. Eles participam do programa da empresa onde trabalham, que libera um expediente por mês, qualquer de seus funcionários para trabalhos voluntários, devidamente registrado e acompanhado.
Esses dois exemplos acima, bem próximos do real, mostram, como a diferença de ações e atitudes de pessoas comuns e tomadores de decisão podem interferir na vida dos brasileiros menos afortunados. Direta ou indiretamente todos podemos, via informática ou outros instrumentos, atenuar problemas sérios ou criar vácuos intransponíveis. Uma questão de transfusão de esperança num pequeno enfermo mineiro ou da exclusão digital definitiva de um piauiense sadio. A diferença entre o Tertuliano de Demerval Lobão e o menino de olhar fugidio, como frasco de soro pendurando no braço, cantando Garota Nacional é sutil e ultrapassa as fronteiras semânticas do prefixo (ir) da palavra (ir) responsabilidade. Faz parte do mosaico complexo deste país, campeão do inexplicável, mestre em desperdiçar oportunidades em nome de intenções nem sempre claramente manifestadas...
São 5:00 h da manhã no interior do Piauí. Tertuliano Silva Filho, 10 anos ,espera pelo caminhão que o levará da zona rural de Demerval Lobão, até a cidade, localizada a 30 Km ao sul de Teresina. Tertuliano se prepara para mais um dia de aula. Já colocou no embornal a lasca de rapadura e o pão dormido, que lhe garantirão a estabilidade até voltar, lá pelo fim do dia. A escola onde Tertuliano estuda, nos arredores de Demerval Lobão era uma das muitas que seriam contempladas com alguns computadores ligados à Internet, oriundos do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços deTelecomunicações), criado em 2000, com um enorme estoque de dinheiro originado de receita operacional bruta das empresas de telecomunicações e de outras alíquotas legais. Previa-se a colocação de 250.000 computadores em 12.500 escolas públicas de ensino médio no Brasil. Pois bem. Quatro anos depois e com uma montanha de mais de 2 bilhões de reais, o FUST continua silencioso como as madrugadas do semi-árido piauiense. Mudou o governo, mas os nossos burocratas e tecnocratas, certificados ISO-9001 em lentidão e travamentos, ainda encontram dificuldades para resolver o “deadlock” em que se meteram, quando criando uma mistura explosiva de tecnologia e política, paralisaram o projeto que faria Tertuliano conhecer o mundo pelos olhos da internet. No impasse de discussões sobre Microsoft e Linux, Bill Gates e Linus Torvalds, Office e Star-Office, os bilhões do FUST foram sendo silenciosamente contingenciados em nome do enigmático superávit primário. Enquanto isso, Tertuliano continua achando que “grande rede”, é somente aquele artefato rústico, que seus pais esticam no único cômodo da casinha do sertão, onde dormem a espera de que os homens públicos acordem.
Agora são 12:30 de uma sexta feira típica de Belo horizonte, quando até as almas barrocas esperam a noite chegar para se encontrar nos botecos. O analista de sistemas P.H.A, que trabalha numa grande empresa de software mineira, produtora de ERP, se prepara para o melhor “caso de uso” do mês. Ele, juntamente com o analista de bancos de dados A.M.T, irão se apresentar para uma platéia especial. Os dois fazem duetos e vocais ao violão, onde cantam todo o repertório dos Detonautas e dos Skank. Hoje estarão se apresentando a um grupo de pequenos pacientes , na enfermaria do Hospital do Câncer Infantil. Não o fazem somente por iniciativa própria. Eles participam do programa da empresa onde trabalham, que libera um expediente por mês, qualquer de seus funcionários para trabalhos voluntários, devidamente registrado e acompanhado.
Esses dois exemplos acima, bem próximos do real, mostram, como a diferença de ações e atitudes de pessoas comuns e tomadores de decisão podem interferir na vida dos brasileiros menos afortunados. Direta ou indiretamente todos podemos, via informática ou outros instrumentos, atenuar problemas sérios ou criar vácuos intransponíveis. Uma questão de transfusão de esperança num pequeno enfermo mineiro ou da exclusão digital definitiva de um piauiense sadio. A diferença entre o Tertuliano de Demerval Lobão e o menino de olhar fugidio, como frasco de soro pendurando no braço, cantando Garota Nacional é sutil e ultrapassa as fronteiras semânticas do prefixo (ir) da palavra (ir) responsabilidade. Faz parte do mosaico complexo deste país, campeão do inexplicável, mestre em desperdiçar oportunidades em nome de intenções nem sempre claramente manifestadas...
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